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Nascimento do Passo

Francisco do Nascimento Filho, mais conhecido por Mestre Nascimento do Passo ou simplesmente Nascimento do Passo, nasceu no dia 28 de dezembro de 1936, no município de Benjamin Constant, estado do Amazonas. Chegou ao Recife em 1949, escondido nos porões do navio Almirante Alexandrino, que fazia cabotagem no litoral brasileiro.
No Recife, viveu algum tempo na rua por não ter moradia fixa nem profissão definida. Trabalhou na informalidade como engraxate e carregador de fretes. Dormiu em bancos de praças e só pode alugar um quarto de pensão, que ficava por trás da sede do Clube Vassourinhas, quando conseguiu seu primeiro emprego fixo na residência de um casal de alemães. Dessa proximidade nasceu seu interesse pelo frevo e foi nos ensaios do clube que ele aprendeu a dançá-lo, tornando-se, mais tarde, uma paixão para toda vida.
A tradição de fazer o passo nas ruas está ligada à própria origem do frevo. E essa tradição, mesmo sofrendo as transformações decorrentes do tempo e das influências culturais, conseguiu chegar às décadas de 1950 e 1960, quando ainda se fazia o passo nas ruas centrais do Recife, principalmente na Pracinha do Diario e na Avenida Guararapes.
Muitas pessoas se lançavam prazerosamente nessa dança executando passos como “tesoura”, “parafuso”, “dobradiça” e alguns outros, ainda sem nome, que a criatividade e as pernas dos dançarinos permitiam executar.
Foi nesse período que agentes da Comissão Organizadora do Carnaval tiveram a idéia de criar concursos entre os passistas que dançavam nas ruas. Nesses concursos, ao som de clarins, clarinetes, tubas e saxofones, os bailarinos usavam toda habilidade e força de suas pernas para exibirem com graça e beleza os mais variados e frenéticos passos no ritmo do frevo.
Nascimento se dedicava cada vez mais ao aprendizado dos passos e em 1958 ganhou um importante concurso, passando do anonimato para símbolo do carnaval recifense. O passo já não era apenas uma dança ou bailado, era também seu nome e sua vida. Foi nesta ocasião que o radialista Cezar Brazil o chamou pela primeira vez de “Nascimento do Passo”. Começou então a participar de espetáculos nos teatros da cidade e acompanhar as orquestras de frevo em apresentações na Alemanha.
Com o passar do tempo, Nascimento do Passo observou que os passistas estavam perdendo espaço para se exibirem nas ruas do Recife, consequentemente diminuindo a possibilidade de divulgação e perpetuação da dança característica do carnaval pernambucano e, em particular, do recifense.
Em decorrência dessas observações, Nascimento criou, em 1973, a primeira escola de frevo, que além de pretender perpetuar a dança, contribuía para que ela fosse vivenciada fora do reinado de Momo. Para isso, criou um método de ensino sistematizando os movimentos e as técnicas que seriam repassados para as novas gerações de jovens bailarinos. A escola foi chamada de Academia do Passo, era itinerante e realizava cursos em espaços públicos. Mais tarde, o nome mudou para Escola de Frevo Recreativa Nascimento do Passo e, em 1996, ganhou sede própria e foi transformada em escola oficial de frevo da Prefeitura Municipal do Recife.
A escola de Nascimento do Passo, entre outras atividades, deu aulas para o Balé Popular do Recife (1976); ensinou ao artista multidisciplinar Antonio Carlos Nóbrega (1978); realizou uma turnê pela Europa (1989); ministrou curso de frevo no Sítio da Trindade, em Casa Amarela, no Recife (1992); ministrou cursos de férias durante o Festival de Inverno de Garanhuns (entre os anos de 1993-1998); e cursos no Teatro Brincantes e no SESC Pompéia, em São Paulo (1998).
Em reconhecimento ao seu trabalho, Nascimento do Passo recebeu os títulos de Cidadão do Recife, em 1998 e de Cidadão de Pernambuco, em 2000.
Em 2000, desfilou com mais de 35 passistas em ritmo de samba pela Escola de Samba Carioca Império Serrano. No mesmo ano, foi o campeão do Festival de Dança de Joinville, Santa Catarina, com a coreografia “Nascimento do Frevo” na categoria Meia Ponta, e bicampeão, em 2001, no mesmo festival.
Nascimento do Passo morreu em 2 de setembro de 2009, deixando sua marca viva na história do carnaval de Pernambuco.

Fonte: http://basilio.fundaj.gov.br/
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